quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um menino que era o menino

Agora o menino já não chama mais pelos amigos nem fica intrigado com as coisas difíceis de se entender do mundo. Estava tão perto do início e tão longe do fim, mas um atalho surgiu e encurtou seu caminho. Como num filme desses que a gente nunca esquece, bicicletas, a violência, o afeto e família grande, o menino não pára, pois a curiosidade não acaba e o que se tem a aprender parece gigante.
Um menino que queria ser “o menino”, poucos perceberam, e a seu modo conseguia conquistar atenção. Muitos vieram antes dele, muitos ainda virão, mas nenhum sonhará o que ele sonhou, buscará o que ele buscou, irá chorar ou sorrir pelos mesmos motivos, nem deixará o que ele deixou. O menino não chegará a ser gente grande pra entender as dores do mundo, então eternamente menino, pelo menos na lembrança, vive em cores, fotografias e naquilo que aprendeu. Em sua missão de aprendiz descobrira a tempo de mostrar a todos que a cada dia que nasce, existe uma nova chance de tentarmos ser uma pessoa melhor! O esforço é diário, a tarefa é árdua e a lição inesquecível.
Então que viva o menino, que partiu de um lugar qualquer do meio do mundo, mundo que parecia tão grande e tão confuso e agora não é mais que uma simples bola, como aquela que gostava de brincar. O menino dentro de cada um de nós mais cedo ou mais tarde partirá, ainda que em vida, consumido pela obrigação diária de ser adulto, sério e preocupado com o que parece importante. E assim segue o menino sendo sempre criança, o caminho das nuvens acaba de encontrar.

Para Lucas Vinícius.