O futuro já chegou e já está indo embora. Lembra daquele desenho animado Os Jetsons, o que tinha uma família típica do futuro? Por acaso estava passando um episódio num desses canais - do pacote mais barato - da tv a cabo e percebi que precisa ser atualizado se ainda tiver a proposta de retratar o mundo do futuro longínquo. A gente era criança e assistindo ao desenho viajava na maionese achando que um dia pudesse viver entre máquinas-faz-tudo e robôs e... tínhamos razão! O que me deixou mais intrigado foi uma sequência onde a personagem Judy, a filha adolescente da família, passava pela sala com vários discos enlatados nas mãos dizendo que era a lição de casa. Provavelmente imaginava-se que o papel, cadernos e livros se tornariam obsoletos e tudo seria digitalizado; de fato isto ocorreu e agora, nem disco, nem disquete: pen drive! As esteiras rolantes que os personagens utilizavam para não ter que caminhar já são uma realidade em supermercados e shoppings, as conversas à distância por meio de telas e monitores de imagem em tempo real também e não, ainda não conseguimos o “teletransporte” mas, o mundo virtual confunde-se com o real nos jogos, cinemas e até tvs em 3D, isso sem falar nas imagens holográficas já utilizadas em alguns eventos de entretenimento, se bem que o desenho também não subestimava as leis da física e o transporte entre os andares do prédio da família Jetson era feito via “tubo sugador” – He! He! He!, um deles era exclusivo para entregar as crianças que chegavam da escola, e por falar no pequeno Helroy, acho que iria ficar aborrecido se descobrisse que mil anos antes dele já utilizamos computadores pessoais bem menores (e portáteis) que o dele – se não me engano, o desenho se passa no ano 3mil e alguma coisa.A bem da verdade, é que o futuro nunca chega se ficarmos esperando e idealizando coisas que possam acontecer e não vivermos o presente que é o que nos move agora. Conheço pessoas que vivem de futuro sempre arquitetando, planejando e economizando para um dia que nunca chega. Entra ano e sai ano, passam-se anos e cadê o concreto? Ainda não chegou, pois o futuro ainda está pra acontecer, só não se sabe quando, realidade é que quando chegarmos lá não será mais o futuro, será presente. Pior ainda é se esse futuro se tornar passado. Então, faça o que é para ser feito agora, ou cairá no discurso bíblico “no dia do Juízo Final blá, blá, blá...” é ainda pior do que aquelas pessoas que vivem de passado “no meu tempo blá, blá, blá... ah! Meus dezoito anos! ...”.
Acho que o futuro idealizado não depende do tempo cronológico. Se pensarmos em “conforto” material, quem inventa o que é do futuro, ou do passado, são as leis do mercado de consumo. Em meados da década de 90, simplesmente de uma semana para a outra, aboliram o disco de vinil e aparelhos que os tocassem e tivemos de nos "adequar" rapidamente para continuar consumindo música e o mesmo vale para o videocassete versus DVD, hoje em dia todos esses itens já estão ultrapassados (mundo virtual). Passei por uma situação engraçada ano passado, um priminho meu de nove ou dez anos disse que gostava de uma banda de rock nacional e eu perguntei se ele tinha o “disco” então ele me respondeu: o que é isso? Tive que explicar. Ainda bem que ele já tinha visto um em algum lugar e não achou que eu estava mentindo e pelos meus cálculos, não se passaram nem dez anos da abolição do vinil e do cd em relação ao ano em que ele nasceu. Hoje ta todo mundo doido com as novas tvs fininhas de led e sei lá o que, daqui dois anos se o mercado ditar que isso é coisa antiga, vamos nos "adequar", e o passado recente se tornará remoto.
Se decidirem por motivos mercadológicos e “consumiológicos” que alguma coisa já ultrapassada deva voltar e ser considerada moderna e futurista, assim será: vide moda. Por isso o futuro não depende do desenrolar do calendário, a Era técnico-científico-informacional consegue dar suporte a essas mágicas, o capital é astuto e tem suas estratégias de sobrevivência.
Já que havia começado com o desenho animado, enxergo muito mais futurismo nos Flintstones que, já na Idade da Pedra, usufruíam de toda a tecnologia em termos de bens de consumo he, he entendeu? E se você começou a ler esse texto por acaso e conseguiu sobreviver até aqui, vamos combinar uma coisa? Vou fazer uma listinha de coisas que consideramos modernas hoje – 26 de junho de 2010 – e daqui 5 anos (nem será preciso esperar 50) vamos conferir o que já faz parte de um passado distante: televisão japonesa que funciona a partir de um óculos, jogo de vídeo game sem joystick em 3D que não necessita de óculos coloridinho, eletrodomésticos que funcionam a partir do comando de voz, acesso a internet por telefone celular - ah, isso não! Já é quase ultrapassado -, que mais... “tele transporte” sem uso de alucinógenos, aí sim...