quinta-feira, 28 de maio de 2015

“O WhatsApp na Era dos burro-falantes”

Quando eu era criança e dizia alguma bobagem, minha mãe logo perguntava: - “de onde você tirou isso menino?”. Hoje em dia, no ofício de professor, sempre que algum estudante me indaga sobre alguma notícia que viu ou ouviu na televisão e que ainda não estou por dentro do assunto, eu logo pergunto qual é a fonte da informação. Uma constatação bizarra é que em plena “era da comunição” parecemos regredir no que concerne ao tratamento da informação. Fala-se o que quer falar e se espalha. Interpreta-se como quer interpretar e se espalha. O que se ouve não é filtrado e simplesmente se espalha! Sim, entramos na “Era dos Boatos”, qualquer um fala o que quer, quem ouve reproduz sem o menor cuidado de checar a informação e assim vamos formando uma nação arrogante, inescrupulosa, sem pudor e o pior de tudo, sem responsabilidade sobre aquilo que está falando. WhatsApp, Facebook, Twitter... virou fonte de informação! Estamos perdidos.

Assim como as pessoas se dizem sem tempo de se informar, de pesquisar e se instruir, parecem também que estão sem tempo de checar a veracidade dos fatos. No rebuliço da vida política brasileira pós-última-eleição, a boataria de má fé e boas intenções tomou conta do país num patamar jamais registrado na nossa história. Mentira é fato, boato é notícia, viral de rede social virtual virou informação, dar vazão à sentimentos primitivos de agressividade significa protestar e esculhambar a moral alheia agora é liberdade de expressão! O brasileiro está decretando a abolição das tradicionais fontes de informação em favor da imprensa falada e teclada (ou sei lá como se chama o ato de ficar escrevendo com a ponta dos polegares na tela do smartphone). 

Tenho constatado “todo dia” o poder da informação informal no discurso e nas discussões travadas entre pessoas de todas as idades e graus de instrução. O mais preocupante reside no fato de que uma fofoca ou boato vira verdade em questão de segundos e ninguém se preocupa em buscar detalhes da origem da informação, apenas passam pra frente o que ouvem. Fato também é que ninguém se preocupa em desmentir quando a verdade é inventada. Perigoso.

A mídia tem a sua parcela de culpa, mas cumpre o seu papel de retratar os fatos de acordo com as amarras ideológicas e políticas que cada empresa de comunicação possui e diante das deficiências na formação escolar e cultural do leitor, do telespectador ou do internauta, acaba-se potencializando essa anomalia social a medida em que grande parte da população não possui a habilidade de interpretar aquilo que assiste, lê ou ouve. Num país onde novela é laboratório de comportamento social e telejornal é tido como uma fonte de verdade absoluta, não vejo muitas alternativas para emancipação cultural. A internet e suas redes sociais chegaram em boa hora como fonte alternativa e democrática de informação e discussão, no entanto a falta de preparo intelectual e moral das pessoas, que desses meios fazem uso, nos tornou essa sociedade incontinente verbal, idiossincrática e ignorante onde mais vale o que se fala.

Estupidamente vou me esquivando da obrigação de ter vida social virtual enquanto a real passa. Ainda prefiro me certificar antes de acreditar no que ouço. Chama-me a atenção as pessoas que estão perdendo o seu senso crítico, opinam sem conhecer, ratificam sem averiguar e repassam informações sem analisar as consequências,  simplesmente pelo fato de que “ouviram falar”. Grave mesmo é não se responsabilizar por aquilo que se fala, pois ter responsabilidade sobre aquilo que dizemos é sinal de amadurecimento.   

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O candidato sincero

Sob o slogan de campanha “ele cumpre com o que fala”, o candidato a governador estadual estava em passeata por aquele bairro de periferia numa zona qualquer da cidade, quando foi interceptado por um grupo de repórteres que cobria a movimentação em vésperas das eleições do ano:
- Sr. Candidato! ... o senhor poderia dar uma palavrinha pra gente sobre o seu projeto de governo?
Abrem-se alas no meio do povo que abarrotava a rua e o homem:
- Sim (sorrisos largos), pois não?
- Quais são as expectativas de campanha do senhor para as eleições que estão se aproximando?
- As melhores possíveis! O povo sabe que no meu governo, "eu roubo mas eu faço"! Basta ver os viadutos, os túneis e aquele estádio de futebol, tudo novinho e superfaturado, custaram até mais do que valiam (sorriso)!
- O senhor não tem medo de fazer campanha aqui na periferia dessa cidade? O índice de criminalidade aqui é muito alto!
- No meu governo a segurança será prioridade! Bandido bom é aquele que “estupra mas não mata”! Lugar de bandido que mata é na cadeia! (aplausos do povo que o seguia pelas ruas)
- O seu partido já tem alguma proposta para a educação pública no nosso estado? O que pretende fazer pelo ensino básico?
- No meu governo, nós vamos transformar essa tal de “Geração Nem nem” em geração “Ou isto ou aquilo”. Para isto, vamos reforçar a progressão continuada... não dá pra ficar repetindo criança de ano, gera custos para o governo mantê-las na escola por tantos anos, tem que diminuir gastos com a educação, temos muitos bandidos pra sustentar na cadeia, a verba tem que vir de algum lugar (sorriso)!
- Mas e o salário das professoras, há no plano de governo algum tipo de incentivo para estas profissionais?
- Meu amigo! “As professoras não ganham mal, elas que não fizeram um bom casamento” e agora ficam se lamentando que não conseguem pagar as despesas em casa e criam baderna nas ruas da cidade, impedindo o trânsito!
- Mais alguma proposta nessa área?
- No meu governo, eu prometo voltar com o programa leve leite. Já estamos estudando como contratar sem licitação a empresa de leite em pó do meu compadre e entusiasta da campanha do meu partido, Fulano de Tal Lacticínios!
 O candidato para de caminhar entre o povo e toma uma criancinha catarrenta no colo e dá-lhe um beijo na testa:
- Na minha gestão, criança não passa fome, criança morre de fome! Só não trabalha quem não quer, emprego tem, o que não tem é mão de obra qualificada! Veja o exemplo da Suécia! Lá não tem gente desempregada. Aqui, o sujeito é vagabundo e deixa os filhos morrerem de fome! Pode isso?
Aplausos ovacionando o candidato.
- Na área da saúde, o que o senhor pretende fazer?
-Vou implantar o S.U.S.T.O. em todo estado! Vamos capacitar os atuais profissionais da saúde para que sejam mais rígidos com esse povo que se amontoa e gera baderna nos saguões dos hospitais e postos de saúde. Se tivermos uma medida mais enérgica com esse povo que adoece por qualquer coisinha, eles não vão querer mais voltar aos hospitais, evitando as filas de espera por mortem in loco.
- Mas, vem cá candidato... e aquela história de desvio de verba na sua gestão passada? Como o eleitorado pode ter certeza de que o senhor é realmente a melhor opção?
- Isso é intriga da oposição, veja só, eu nem fui pra cadeia por causa disso! Não ficou nada comprovado que aqueles bilhões de dólares que desapareceram dos cofres públicos do estado realmente foram parar nas minhas contas secretas nas Ilhas Cayman. Alguém aí me viu carregando tanto dinheiro na cueca? Nem daria pra fazer isso com tanto dinheiro, eu teria que enviar em parcelas ao longo dos quatro anos por transação eletrônica ou contratando empresas fantasmas em processos ilícitos para forjar uma falsa origem desse dinheiro todo. O meu patrimônio aqui em território brasileiro não aumentou em nada. Ninguém provou nada até hoje.
- Pois é candidato, neste ponto o senhor tem razão... e como pretende conduzir sua campanha nessa reta final antes das eleições?  
- Vou intensificar a propaganda do meu partido enfatizando o meu nome. Mais papeis jogados nas ruas com a minha foto, mais carro de som com o meu jingle de campanha “Ele cumpre o que fala”, mais distribuição de dentadura pra esse povo de sorriso maravilhoso e a captação de recursos financeiros em fontes obscuras não param nunca (sorriso e aceno pra uma transeunte descamisada que passava por ali e gritava contente para o “meu candidato”)! – Deixa eu ir que ainda vou tomar um cafezinho ali no barraco da dona... dona... ah, deixa pra lá. (sorriso pras câmeras e pra população, acenos afetuosos).



Dois meses depois o Candidato Sincero se elege governador do estado em primeiro turno com uma margem gigantesca de votos à frente do segundo concorrente.  

domingo, 17 de agosto de 2014

Panis et circenses ou ando meio desligado mesmo?

Frase da semana, “em quem eu vou votar agora?”, frase de duas semanas atrás “eu não vou votar em ninguém nesta eleição”.  Quem consegue entender os critérios do eleitor brasileiro? Trata-se de um caso para a sociologia tentar explicar, mas que nem precisa ser especialista no assunto para aventar uma resposta, já que a falta de educação política e de informação é fato por aqui.

Numa observação das opiniões que andei recebendo de pessoas próximas pude perceber que a maioria delas só conhece os dois principais candidatos à Presidência da República (situação e “oposição imediata”), alguns até citaram o nome de uma terceira pessoa que na verdade nem candidata era, e sim pertencia a uma nova coligação na condição de vice-presidente de um dos candidatos ao cargo. Acompanhando as pesquisas de intenção de voto, constatei que a “terceira opção de voto” aparecia no resultado das pesquisas com menos da metade das intenções de voto do segundo colocado, ainda que 9% possa representar muitos votos numa amostragem. Concluí que careceria de maior divulgação por parte das campanhas e de maior conhecimento, por parte dos 140 milhões de eleitores do país, para que tal situação pudesse ter uma mudança drástica.

Pois bem, a gente vota em quem a gente conhece, certo? Corretíssimo. Na condição de observador que analisa o caso pelo viés do senso comum acredito que, mesmo não gozando de indiscutível credibilidade e confiança, as pesquisas deveriam ser levadas em consideração e analisadas pelo eleitor nessa dinâmica de escolhas importantes como esta, mas seria querer demais, pois nós brasileiros não conseguimos analisar nem as letras das músicas que estamos ouvindo – daí a caganeira que se tornou a nossa vida cultural – quanto mais exigir de nós mesmos um ato reflexivo para o qual não fomos preparados.

O que me levou a escrever isto aqui foi o que aconteceu nesta semana no país. Após um trágico e triste episódio – que não vou relatar aqui pois quem mora no Brasil e “está vivo” sabe muito bem do que se trata -  vê-se uma onda de lamentações de pessoas desoladas e declarações comovidas de quem perdeu a opção que tinha para mudar os rumos do país. É bastante sintomático testemunhar isto de uma hora para outra num rompante de pessoas decididas daquilo que querem, se um dia antes, por pouco o nome do candidato nem apareceria nas grandes pesquisas. Sei lá, talvez eu esteja percebendo coisa demais, mas que eu não ouvia tal decisão do povo até semana passada isso é certo. Até a última terça (12 de agosto de 2014) o que eu mais presenciava era o “eleitor roleta-russa”, aquele que atira para tudo quanto é lado sem critério nenhum porque “nenhum candidato presta”, o mesmo que diz não gostar de política e que acha que tudo é só roubalheira e que isto o desobrigaria de ter que votar em alguém. Sobre este tipo de pensamento, o do cidadão isento e vítima, Bertolt Brecht já falou e disse no seu, talvez, mais “famoso” texto... e incrédulo assisto à metamorfoses instantâneas de pensamento e me pergunto se é casmurrice minha ou se as massas é que estão cada vez mais volúveis!

A mídia mostra mais uma vez a sua imensa força na opinião pública! Consegue-se colocar na berlinda ou alçar um cidadão ao posto de herói da nação em questão de minutos! Criam-se mitos, verdades e conceitos em meio à toda alienação apática e ai de quem se atrever a pensar o contrário!

 Infelizmente o brasileiro pensa cada vez mais em rede, critica sem critérios cada vez mais em rede, aponta o que é certo ou errado em rede e erra também em rede. Se duvida, vá até algum site de “rede” social e colha pensamentos, pois foi lá que fiz minhas constatações na última quart-feira. Tenho aversão à correntes, principalmente se forem induzidas pela mídia. Talvez tenhamos uma mudança no panorama das eleições desse ano a partir dessa semana, pois já se sabe que existe uma terceira opção nas urnas, ainda que tenha sido descoberta pela grande maioria em um episódio tão lamentável. É sonhada a hora em que tenhamos a capacidade de decidir e opinar em função de um bom conhecimento crítico e pessoal e do interesse em tomar posse daquilo que é significativo na direção de nossas vidas. Minha utopia e casmurrice vem do desejo de ver uma nação de pessoas esclarecidas que decidam em conjunto e não em rede.   

terça-feira, 27 de maio de 2014

#Somos todos lindos!


           A exposição da própria imagem nunca foi tão relevante nas sociedades como está acontecendo agora. Louvado seja o smartphone, pois Narciso vibra feliz no alto do Olimpo. Na era da tecnologia de ponta, enfim, encontramos a cura para um dos males da humanidade, a baixa autoestima. O que a rotina não mostra, as redes sociais destacam em closes vibrantes trabalhados no bom (ou mau) gosto neste “não lugar” fértil e livre para declararmos de todo o coração, sem a necessidade da fatídica e inconveniente sinceridade que transparece nos olhos das pessoas na vida real, a palavrinha mágica que todos esperamos ouvir ao postar a selfie do dia: “lindo”!

Do biquinho meio de perfil no espelho do W.C. ao puro exibicionismo do que chamaríamos - numa linguagem mais “J.R. Duran” - de nu artístico, vamos trabalhando diariamente a imagem de pessoas quase perfeitas para dar boas vindas aos fãs e seguidores do nosso sucesso, pois há sempre um ângulo “correto”, um colorido que ajuda a disfarçar o que não deve ser visto em massa e o momento exato em que nos encontrávamos bonitos.

 Se não é para mostrar o "corpitcho" – que na maioria das vezes não está em dia com a balança –  a gente clica naquela posição de cima pra baixo bem pertinho da cara, meio de ladinho se empenhando para só aparecer dos ombros pra cima, faz uma cara de autodeterminação e pronto, agora é só botar uma legenda-autoestima daquelas que já vem pronta no formulário da página do site com carinhas estilizadas e divertidas para todas as ocasiões de sentimento. Em casos como daqueles que aderiram à academia como “filosofia contemporânea” de vida não há problema em fotografar diante do espelho a barriga, perna, bunda (vestida! senão o face bloqueia) e o que mais tiver a disposição no açougue. Somos todos lindos! Estamos todos lindos e não venha à minha casa sem avisar, posso não estar preparado esteticamente para me expor e certamente outros ângulos hão de aparecer.

Eu selfio, tu selfias e ele selfia, o desejo reprimido dos quinze minutos de fama e da aceitação social pode ser dilacerado várias vezes ao longo do dia pra quem tem tempo e pra quem não tem também – no serviço também se selfia – está ao nosso alcance aparecer bem na foto igual aquele povo famoso e sempre bonito aparece nas revistas! Posso colorir, desbotar, sombrear, recortar e burlar as leis da feiura no meu próprio editor de imagens do celular.

A gente é ranzinza mas se diverte as vezes he,he! pois o bom gosto ainda é algo muito pessoal e subjetivo na mente das pessoas, é divertido ver algumas fotos que consideraria um atentado público ao pudor e bons costumes serem ovacionadas com linda! Gatona! “Ki xic”! e outras expressões que dificilmente se diz ou se ouve no dia a dia do mundo real, digamos assim. Vez por outra alguém que era anônimo (e agora não é mais por causa da internet e suas redes sociais) tem seu dia de Luciana Gimenez e “posta” imagens do olho roxo com remela de terçol, o antes e depois do regime, o pedaço de umbigo que caiu da barriga do recém nascido e outras escatologias que a gente faz no dia a dia mas que não deveria mostrar pra ninguém.  Recebo tanta enxurrada de fotos do minuto a minuto da vida de algumas celebridades do meu meio social e familiar que ultimamente sei mais da vida dos outros que da minha própria (risos), pois nem lembro o que comi no almoço mas sei o que os outros estão comendo em todas as refeições do dia. Numa dessas situações inusitadas descobri que no período da manhã uma pessoa tinha uma pilha de roupas em cima da cama para passar e ao final do dia já estavam passadas e dobradas em cima da mesa da sala! Alguém precisava saber disso? Pois é, no mundo dos bonitos e famosos tem sempre algum paparazzi de plantão e neste caso, a própria pessoa clicada!


Certa vez me perguntaram por que eu tinha sumido. Disse que estava no mesmo lugar fazendo as mesmas obrigações de sempre e com os mesmos meios de contato. “Não sô! Cadê você na internet, faz tempo que eu não vejo a sua cara, cê não bota foto, você ainda tem os olhinhos puxados?”. Acho que preciso apurar mais o meu lado “Dorian Gray” antes que esqueçam que eu existo! Tenho que aparecer mais, jogar a minha autoestima lá em cima, que esse negócio de reservado é só pra portinhola de banheiro público mesmo (ou já foi né?), haja photoshop!  Querendo ou não temos que nos “amostrar”! Já disse o Rubens Paiva: “Selfie-se quem puder.” No mais eu “se divirto-me” com os trem da nova filosofia contemporânea, mas que a gente é lindo, isso é.  

Imagem tirei daqui ó: http://extra.globo.com/noticias/animais/selfies-de-animais-fazem-sucesso-no-twitter-11244022.html

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mais de vinte e menos que trinta e nove


Aquela velha calça jeans, o tênis maltratado,
caderno dentro da mochila, era tempo de escola.
Mas ainda tínhamos tempo pra uma coca-cola, 
ainda assim tínhamos tempo pra pensar...

Em você e em mim, é vaga a lembrança  
de você e de mim, no tempo da inocência.
Pra você e pra mim ficou a nossa história, 
por você e por mim, éramos tão criança. 

O tempo passa lentamente, 1, 2, 3 e vai...,
e a vida vai mudando a gente, 15, 20 ou mais.
Ainda trago essa memória, trinta e cinco aaai...
tantos setembros pra lembrar.

De você e de mim, é linda nossa história.
Em você e em mim o tempo da inocência.
Pra você e pra mim se fez a trajetória.
Tudo tão simples e era assim, éramos tão criança.

Imagem: detalhe da capa do disco do Lô Borges de 1974.     


  
   

sábado, 13 de julho de 2013

Eli ou Eloá?

Pai que educai vossos filhos
Dai-me um auxílio, dai-me um auxílio
Eu fui criado sem religião mas tive educação
E agora que chegou a hora de educar
Eu não consigo, eu não consigo
Esse menino nunca ouve o que eu digo.

Ei-lo, ei-la, ou ele é?
Ei-lo, ei-la, é ele ou Eloá?

Quando olhei, vi no seu olhar
Havia algo oculto, difícil explicar
Então já sabia no que isso ia dar
Deixei pra que o tempo viesse atestar
Plantei cravos aos pés do altar, deram rosas
Em seu lugar.

Ei-lo, ei-la, é o que é?
Ei-lo, ei-la, é ele ou Eloá?

Eu andei bem devagar pra que a vida
Não saísse do seu devido lugar.
Eu rezei até calejar, pensei que o mundo
Poderia acabar
E os outros, o que vão falar?
Ás vezes o silêncio é uma forma de criticar

Ei-lo, ei-la, eis pois é?
Ei-lo, ei-la, é ele ou Eloá?

Ele lá, Eloá livre arbítrio pra voar
Ei-lo lá, ele já decidiu não mais voltar
Sei que há Eli lá um motivo pra sacar  
Outras crianças hão de perguntar
Então diga: “a vida é feita pra acabar.”

Inspiração: Filme "Deixe ela entrar" (“Låt den rätte komma in”, SE, 2008) 
Foto:http://www.cinemaqui.com.br/wp-content/uploads/2010/11/deixe-ela-entrar.jpg


 


domingo, 12 de maio de 2013

Por carta


Hoje eu mudei de endereço, fui embora, me esqueça
Que eu já não volto mais
Pouco tempo já é o bastante
Pra quem fica ou vai agora, corre adiante ou vai atrás
Acho que eu mereço o seu apreço
Que pra mim já não tem preço
Lembra de mim e eu apareço
Há contradição na trajetória desse amor meio grotesco
Meu amor
Meu amor, por favor
Sufoque a dor que eu também não sou são...
Ter você perto de mim é viver em tentação.