Frase da semana, “em quem eu
vou votar agora?”, frase de duas semanas atrás “eu não vou votar em ninguém
nesta eleição”. Quem consegue entender
os critérios do eleitor brasileiro? Trata-se de um caso para a sociologia
tentar explicar, mas que nem precisa ser especialista no assunto para aventar
uma resposta, já que a falta de educação política e de informação é fato por
aqui.
Numa observação das opiniões
que andei recebendo de pessoas próximas pude perceber que a maioria delas só conhece os dois principais candidatos à Presidência da República (situação
e “oposição imediata”), alguns até citaram o nome de uma terceira pessoa que na
verdade nem candidata era, e sim pertencia a uma nova coligação na condição de
vice-presidente de um dos candidatos ao cargo. Acompanhando as pesquisas de
intenção de voto, constatei que a “terceira opção de voto” aparecia no
resultado das pesquisas com menos da metade das intenções de voto do segundo
colocado, ainda que 9% possa representar muitos votos numa amostragem. Concluí
que careceria de maior divulgação por parte das campanhas e de maior
conhecimento, por parte dos 140 milhões de eleitores do país, para que tal
situação pudesse ter uma mudança drástica.
Pois bem, a gente vota em
quem a gente conhece, certo? Corretíssimo. Na condição de observador que
analisa o caso pelo viés do senso comum acredito que, mesmo não gozando de
indiscutível credibilidade e confiança, as pesquisas deveriam ser levadas em
consideração e analisadas pelo eleitor nessa dinâmica de escolhas importantes
como esta, mas seria querer demais, pois nós brasileiros não conseguimos
analisar nem as letras das músicas que estamos ouvindo – daí a caganeira que se
tornou a nossa vida cultural – quanto mais exigir de nós mesmos um ato
reflexivo para o qual não fomos preparados.
O que me levou a escrever
isto aqui foi o que aconteceu nesta semana no país. Após um trágico e triste
episódio – que não vou relatar aqui pois quem mora no Brasil e “está vivo” sabe
muito bem do que se trata - vê-se uma
onda de lamentações de pessoas desoladas e declarações comovidas de quem perdeu
a opção que tinha para mudar os rumos do país. É bastante sintomático
testemunhar isto de uma hora para outra num rompante de pessoas decididas
daquilo que querem, se um dia antes, por pouco o nome do candidato nem apareceria
nas grandes pesquisas. Sei lá, talvez eu esteja percebendo coisa demais, mas
que eu não ouvia tal decisão do povo até semana passada isso é certo. Até a
última terça (12 de agosto de 2014) o que eu mais presenciava era o “eleitor
roleta-russa”, aquele que atira para tudo quanto é lado sem critério nenhum porque
“nenhum candidato presta”, o mesmo que diz não gostar de política e que acha
que tudo é só roubalheira e que isto o desobrigaria de ter que votar em alguém.
Sobre este tipo de pensamento, o do cidadão isento e vítima, Bertolt Brecht já
falou e disse no seu, talvez, mais “famoso” texto... e incrédulo assisto à
metamorfoses instantâneas de pensamento e me pergunto se é casmurrice minha ou se
as massas é que estão cada vez mais volúveis!
A mídia mostra mais uma vez a
sua imensa força na opinião pública! Consegue-se colocar na berlinda ou alçar um
cidadão ao posto de herói da nação em questão de minutos! Criam-se mitos,
verdades e conceitos em meio à toda alienação apática e ai de quem se atrever a pensar o contrário!
Infelizmente o brasileiro pensa cada vez mais
em rede, critica sem critérios cada vez mais em rede, aponta o que é certo ou
errado em rede e erra também em rede. Se duvida, vá até algum site de “rede”
social e colha pensamentos, pois foi lá que fiz minhas constatações na última
quart-feira. Tenho aversão à correntes, principalmente se forem induzidas pela
mídia. Talvez tenhamos uma mudança no panorama das eleições desse ano a partir
dessa semana, pois já se sabe que existe uma terceira opção nas urnas, ainda
que tenha sido descoberta pela grande maioria em um episódio tão lamentável. É
sonhada a hora em que tenhamos a capacidade de decidir e opinar em função de um
bom conhecimento crítico e pessoal e do interesse em tomar posse daquilo que é
significativo na direção de nossas vidas. Minha utopia e casmurrice vem do
desejo de ver uma nação de pessoas esclarecidas que decidam em conjunto e não
em rede.