quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Vamos ao trabalho!


            
 O candidato à vaga de emprego entra e senta-se diante do entrevistador:

E então, porque você escolheu a nossa empresa para trabalhar?
-  Bom... é que eu sempre ouvi falar muito bem daqui e o trabalho de vocês é muito bem conceituado na cidade e é isso ( “pergunta idiota, eu preciso pagar as minhas contas e não quero roubar”) .
-  Deixa eu ver... ãããn... já trabalhou em cinco lugares diferentes... ãããn, cursos ãããn...fale um pouco sobre o que você fazia no seu último emprego.
-  É, eu fazia, na verdade, um pouco de tudo lá, a empresa era bem exigente e acho que foi uma experiência muito boa, pois aprendi muito trabalhando lá.
-  Sim, sim (“quem faz de tudo, não sabe fazer nada”). Aqui não toleramos atrasos, faltas sem justificativa, o funcionário tem que estar disponível para trabalhar no contra-turno, inclusive aos finais de semana quando solicitado e não pagamos a mais por isso.
-  Entendi.  
-  Qual é a sua religião?
-  Eu sou “católico não praticante”, mas acredito em Deus.
-  Sei...você tem um perfil seu no “Facebook”?  É só pra saber se você está a par das novas tecnologias (  “É só pra efeito de seleção mesmo, sem caráter investigativo”).
-  Ah, tenho sim é esse aqui ó... mas meu nome está com dois Ts, que fica mais fácil de me achar lá.
-  Qual é o seu sonho, seu projeto de vida?
-  Espero ser uma pessoa muito feliz e me desenvolver cada vez mais na minha profissão.
-  E... você fuma?
-  Só cigarros de vez em quando (“ai que vontade de acender um agora”).
-  Você tem boa disponibilidade de horário para trabalhar conosco?
-  Sim, inclusive á noite.
- Suponhamos que um colega de trabalho esteja atrapalhando os seus afazeres e comprometendo todo o seu serviço, como você agiria neste caso?
- Eu chamaria ele para uma conversa em particular e por meio do diálogo tentava deixa-lo a par da situação. Jamais brigaria ou chamaria a atenção dele em público (“depois lá fora eu mandava ele pra PQP e botava o nome dele na boca do sapo”).

Muito lero-lero vazio com perguntas redundantes e respostas vazias depois...

- E quanto você pretende ganhar?
- Isso é a combinar depois.
- Mas estime um valor.
- Sei lá... uns #### reais mais ou menos (“ou, mais ou menos igual o Neymar ganha").
- E você gostaria de fazer alguma pergunta sobre a empresa ou o modo como trabalhamos aqui? Fique à vontade.
- Não, está tudo entendido (“já vi que é pura exploração e pouca recompensa!”).
- Então fica assim, vamos analisar melhor o seu currículo e depois a gente liga pra você, caso seja selecionado (“vai esperando com fé que o entrevistado anterior já ganhou a vaga”).
- E a vaga precisa ser preenchida logo?
- Sim, já é pra começar na semana que vem. Ah! Já ia me esquecendo! Você não conhece ninguém pra te indicar? Assim um vereador, padre, fazendeiro ou alguém que pudesse garantir o seu trabalho aqui na empresa, sabe como é, cidade pequena e tal...
- Não conheço ninguém não, mas eu garanto que tenho a qualificação e experiência pra função e vocês podem avaliar o meu trabalho.
- Mas se tivesse alguém pra te indicar seria mais fácil (“aqui rege interesses”).
- Tenho não, mas tentarei corresponder às expectativas da empresa dando o melhor de mim.
- Certíssimo, agora vamos terminar o processo de seleção e é só aguardar.
-  Muito obrigado pela oportunidade, estarei no aguardo (“vou correr atrás de outra vaga”).
- Então, qualquer coisa a gente entra em contato com você (“até nunca mais!”).

   O ex-candidato a vaga de trabalho se levanta e uma porta se fecha cautelosamente.