sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu faço coisas de homem!

Já reparou que a maioria das mulheres, pra não dizer todas elas, tem mania de ficar classificando o que é coisa própria de homem fazer e o que é coisa de mulher? Elas possuem uma certa mania ou vício de linguagem onde sempre se destacam frases como “homem não liga pra esse tipo de coisa, só as mulheres mesmo”, ou “isso é coisa de homem, vai lá e faz”, ou “ah! Só mulher percebe esse tipo coisa.” Parece que estão sempre preocupadas em colocar cada coisa em seu lugar, quando o assunto é convivência e comportamento. Será uma forma de se auto-afirmarem como fêmeas?


Para a maioria das mulheres os homens não pensam muito e fazem tudo no automático por que é do instinto “hominical”. Na guerra dos sexos estamos (nós homens) sempre em desvantagem, pois nunca percebemos nada, não temos sensibilidade, intuição, percepção, audição e nem capacidade cognitiva de processar aquilo vem do mundo das emoções. Após mais de três décadas convivendo, conversando e ouvindo o papo de mulheres na minha orelha, descobri que tem coisas que eu faço e que só homem faz! Mas que também tem coisas de homem que eu deveria fazer - por que eu sou homem - e não faço! A partir dessas descobertas de extrema e fundamental importância listei algumas coisas que faço e não faço. Para facilitar o entendimento separei em categorias hermeticamente fechadas – do jeito que elas costumam comentar – porém, com uma pitada de rigor acadêmico para irritar quem arriscar uma leitura disso, vamos a elas:


Coisas de homem que eu faço: olhar a lataria e pneus do carro minuciosamente após chegar em casa, trocar de canal incessantemente enquanto assisto à tv, cortar o meu próprio cabelo em casa com maquininha, pintar parede do apartamento, arroto sonoro, xingar palavrão alto no trânsito, ver programa de esportes na televisão, ressuscitar pão amanhecido no forno microondas e mais um monte de coisas que não dá pra falar.


Coisas de homem que eu “não” faço: mexer com churrasqueira, consertar carro enguiçado, trocar pneu (por isso eu sempre verifico antes de sair de casa), torcer pra time de futebol, beber cerveja, coçar as partes íntimas na frente dos outros e mais um monte de coisas que não dá pra falar.


Coisas que “não são” de homem e que eu faço: limpar casa, lavar roupa, falar ao telefone, cruzar as pernas quando estou sentado, lavar as mãos depois de ir ao banheiro, falar da vida alheia, levantar a tampa da privada, assistir novela e só isso, mas só isso mesmo!


Coisas que “não eram” de homem e “agora são” e eu “não faço”: chapinha no cabelo, usar camisa cor de rosa, vestir calça colorida e apertadinha nas canelinhas, passar aquele treco preto nos olhos, fazer luzes no cabelo, arrancar os pelos da sobrancelha, dançar o reboleichanchan e mais um monte de coisas.


Coisas que “não são” de homem e que eu “não faço de jeito nenhum”: pintar unha com esmalte transparente, ler horóscopo, perguntar o signo dos outros, ir ao show do Fábio Jr., chorar... ops...só se for por um bom motivo!



Pois bem, concluindo a análise do método positivista das categorias a priori e tendo em vista os pressupostos metodológicos da ontologia do ser passional e considerando a divisão social sexual do trabalho como a forma mais primitiva de cultura familiar, concluo que tem coisas muito mais relevantes do ponto de vista filosófico para nos preocuparmos do que ficar atento se o cara vai levantar o dedinho mínimo ao tomar uma xícara de café. Deduzo assim que se você que começou e conseguiu ler este texto até aqui porque achou o título curioso, e se é mulher, deve ter achado o conteúdo chato pra burro e não é pra menos, pois elevei ao cubo aquilo que vocês costumam fazer durante os bate-papos. Mas se você é homem, creio que nem chegou até aqui, pois esse papinho de teste de Revista Capricho não te atrai nem um pouco, não é mesmo? Não que eu leia esse tipo de publicação, apenas ouvi falar... sabe como é, ler coisinhas sobre comportamento masculino e feminino não é coisa de homem... ou é?


Inspiração: Homem que é homem do "meu xará" Luis Fernando Verissimo


Imagem retirada do site: www.tuentifotos.com

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A voz do povo é a voz de “demos”

Quantas críticas negativas ouvi nestes dias que antecedem as eleições acerca dos candidatos à deputado, presidente e senador da República. Nas rodas de conversa, pessoas das mais variadas idades criticando, censurando e até maldizendo os cidadãos que resolveram entrar pro mundo da política e participar desse processo maravilhoso que são as eleições: um é burro, o outro se veste de palhaço, a outra aparece na propaganda política de langerie, tem um que usa luva de boxe, outro com um frasco de lustra-móveis e - sintetizando tudo isso - o alegre Tiririca! Pois bem, como diria o filósofo da música brasileira Lenine “ninguém faz idéia de quem vem lá.” Será que esse fenômeno é ruim?

Vejo e analiso essa situação de modo diferente, ter ladrões, palhaços, prostitutas, mulheres melancias, KLBs, coloridos, “normais” e pagodeiros no rol de candidatos à possíveis administradores do nosso país é simplesmente MARAVILHOSO! Isto demonstra que estamos aperfeiçoando a nossa democracia. Não era isso que queríamos durante décadas de subserviência colonial, de Império pré-República, de eleições de cabresto café- com- leite, de ditadura varguista e de vinte anos de ditadura militar? Sim, agora eu, você, sua vizinha e o palhaço Tiririca temos o direito de meter o bedelho no rumo do nosso país de maneira “ativa”, ou seja, desde que esteja de acordo com os parâmetros legais estabelecidos, qualquer um de nós pode se candidatar e ser eleito. Você pode estar lá! A culpa não é sempre de quem está no poder? Então vamos tomar o poder, é permitido!

Não admito quando ouço que tal candidato é burro ou só quer se aparecer. Nesta semana alguém indignado bradava sobre um resultado de pesquisa pré eleitoral que apontava o Tiririca como o mais cotado na região para o cargo de deputado federal. Ele está apenas fazendo valer o seu direito de cidadão num país que se diz democrático, se ele não é adequado ao cargo pretendido, ou se não tem preparo intelectual pra isso, cabe ao eleitor decidir se vota ou não, aí entramos no X da questão: são os candidatos que não prestam ou a população que não está preparada para escolher o melhor pro país? Lembremos da experiência emblemática que tivemos, depois de anos gritando por “diretas já” elegemos um presidente que afundou ainda mais o país e teve que ser “convidado” a se retirar do cargo. Estávamos preparados para exercer a democracia? É errando que se aprende o que é certo, e nós já erramos algumas vezes. Aprendemos?

A minha bronca, e acho que deveria ser a de todo mundo também, é perceber que vivemos num país alienado, cooptado pelas futilidades da mídia e avesso à boa cultura e educação de qualidade. Se tivéssemos uma boa educação ao longo de nossas vidas no âmbito familiar, social e escolar, talvez isso tudo seria diferente. As pessoas que votam em artistas ou famosos por falta de formação política e conhecimento expõem uma situação que precisa de intervenção urgente. Ora, se os maiores culpados pela má qualidade da educação no país são justamente os vários governantes que passaram por aqui durante anos e anos e se quem escolheu alguns deles fomos nós, os mal educados, então o que se pode concluir disso? Círculo vicioso? Quebre a corrente.
Enquanto isso eu aproveito para me divertir com algumas passagens do horário de propaganda eleitoral e para vislumbrar por um futuro cada vez melhor pro meu país e pra minha vida. Que maravilha é ver tanta gente tentando melhorar o país. Vamos gozar a nossa liberdade! Viva la democracia! Apenas vale lembrar que: analfabeto político elege político analfabeto.

PS: Infelizmente não consegui descobrir quem é o autor da foto/montagem utilizada nesse post, mas achei genial!

sábado, 31 de julho de 2010

Ao Santo Guerreiro ...


Meu São Jorge protetor
Guarda, guarda guardador
Me ilumina ó meu Pai
Me ilumina meu Senhor

Santo forte lutador
Me dê glória sem ter dor
Faça forte meu clamor
Derrubai o opressor

Da coragem eu faço o escudo
E da fé a minha armadura
Com o bem eu pago o mal
Minha guerra é na labuta

Livrai-me do dragão da maldade, da vaidade,
das tentações e da cobiça.
Permita-me uma noite tranqüila após
um dia de batalha.
E que a paz prevaleça.
Salve, salve Ogum!

sábado, 26 de junho de 2010

Aí sim, fomos surpreendidos novamente!

O futuro já chegou e já está indo embora. Lembra daquele desenho animado Os Jetsons, o que tinha uma família típica do futuro? Por acaso estava passando um episódio num desses canais - do pacote mais barato - da tv a cabo e percebi que precisa ser atualizado se ainda tiver a proposta de retratar o mundo do futuro longínquo. A gente era criança e assistindo ao desenho viajava na maionese achando que um dia pudesse viver entre máquinas-faz-tudo e robôs e... tínhamos razão! O que me deixou mais intrigado foi uma sequência onde a personagem Judy, a filha adolescente da família, passava pela sala com vários discos enlatados nas mãos dizendo que era a lição de casa. Provavelmente imaginava-se que o papel, cadernos e livros se tornariam obsoletos e tudo seria digitalizado; de fato isto ocorreu e agora, nem disco, nem disquete: pen drive! As esteiras rolantes que os personagens utilizavam para não ter que caminhar já são uma realidade em supermercados e shoppings, as conversas à distância por meio de telas e monitores de imagem em tempo real também e não, ainda não conseguimos o “teletransporte” mas, o mundo virtual confunde-se com o real nos jogos, cinemas e até tvs em 3D, isso sem falar nas imagens holográficas já utilizadas em alguns eventos de entretenimento, se bem que o desenho também não subestimava as leis da física e o transporte entre os andares do prédio da família Jetson era feito via “tubo sugador” – He! He! He!, um deles era exclusivo para entregar as crianças que chegavam da escola, e por falar no pequeno Helroy, acho que iria ficar aborrecido se descobrisse que mil anos antes dele já utilizamos computadores pessoais bem menores (e portáteis) que o dele – se não me engano, o desenho se passa no ano 3mil e alguma coisa.

A bem da verdade, é que o futuro nunca chega se ficarmos esperando e idealizando coisas que possam acontecer e não vivermos o presente que é o que nos move agora. Conheço pessoas que vivem de futuro sempre arquitetando, planejando e economizando para um dia que nunca chega. Entra ano e sai ano, passam-se anos e cadê o concreto? Ainda não chegou, pois o futuro ainda está pra acontecer, só não se sabe quando, realidade é que quando chegarmos lá não será mais o futuro, será presente. Pior ainda é se esse futuro se tornar passado. Então, faça o que é para ser feito agora, ou cairá no discurso bíblico “no dia do Juízo Final blá, blá, blá...” é ainda pior do que aquelas pessoas que vivem de passado “no meu tempo blá, blá, blá... ah! Meus dezoito anos! ...”.

Acho que o futuro idealizado não depende do tempo cronológico. Se pensarmos em “conforto” material, quem inventa o que é do futuro, ou do passado, são as leis do mercado de consumo. Em meados da década de 90, simplesmente de uma semana para a outra, aboliram o disco de vinil e aparelhos que os tocassem e tivemos de nos "adequar" rapidamente para continuar consumindo música e o mesmo vale para o videocassete versus DVD, hoje em dia todos esses itens já estão ultrapassados (mundo virtual). Passei por uma situação engraçada ano passado, um priminho meu de nove ou dez anos disse que gostava de uma banda de rock nacional e eu perguntei se ele tinha o “disco” então ele me respondeu: o que é isso? Tive que explicar. Ainda bem que ele já tinha visto um em algum lugar e não achou que eu estava mentindo e pelos meus cálculos, não se passaram nem dez anos da abolição do vinil e do cd em relação ao ano em que ele nasceu. Hoje ta todo mundo doido com as novas tvs fininhas de led e sei lá o que, daqui dois anos se o mercado ditar que isso é coisa antiga, vamos nos "adequar", e o passado recente se tornará remoto.
Se decidirem por motivos mercadológicos e “consumiológicos” que alguma coisa já ultrapassada deva voltar e ser considerada moderna e futurista, assim será: vide moda. Por isso o futuro não depende do desenrolar do calendário, a Era técnico-científico-informacional consegue dar suporte a essas mágicas, o capital é astuto e tem suas estratégias de sobrevivência.
Já que havia começado com o desenho animado, enxergo muito mais futurismo nos Flintstones que, já na Idade da Pedra, usufruíam de toda a tecnologia em termos de bens de consumo he, he entendeu? E se você começou a ler esse texto por acaso e conseguiu sobreviver até aqui, vamos combinar uma coisa? Vou fazer uma listinha de coisas que consideramos modernas hoje – 26 de junho de 2010 – e daqui 5 anos (nem será preciso esperar 50) vamos conferir o que já faz parte de um passado distante: televisão japonesa que funciona a partir de um óculos, jogo de vídeo game sem joystick em 3D que não necessita de óculos coloridinho, eletrodomésticos que funcionam a partir do comando de voz, acesso a internet por telefone celular - ah, isso não! Já é quase ultrapassado -, que mais... “tele transporte” sem uso de alucinógenos, aí sim...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

2 em 1

Vamos lembrar dessa trajetória?
São 2 em 1 aqueles corações.
Ele é um rapaz e ela tem história pra contar.
É tudo igual, se deixar vai ver que enrola.
Se ele pede pra ficar, ela não vai embora mas,
se ela pede pra ir embora ele não vai ficar.

Vejam só o que o destino os preparou!
Quando a gente ama, o que é que é o amor?
E quem sabe um dia desses eles passem por aqui?
Trajando mil sorrisos, pra gente também rir.

Ela tem um automóvel e um apartamento.
Ele só anda de moto e já pensa em casamento.
Ele curte um baseado e bate um violão.
Ela agora curte um rock mas mantém os pés no chão.

É o sol e a lua, eclipse total.
A mão e a luva, paixão transcendental.

Imagem: Cranberries, extraída do site farmfreshliving

sábado, 8 de maio de 2010

A Odisseia da Ideia

A Ideia nasceu de uma cabeça oca - e que todos julgavam vazia - porém ela foi crescendo. Espremida no espaço finito da massa cinzenta, a Ideia insistia em continuar se desenvolvendo e rebelde como era, a inquieta queria sair do campo das ideias e resolveu partir para uma outra região que há tempos ouvira falar, a ação. A Ideia virou sonho e passou a ocupar tanto espaço dentro do crânio em sua jornada ascendente, que acabou tomando a rua. Descoberta, a Ideia encontrou obstáculos e foi tida como louca, mas quando encontrava respaldo ficava cada vez mais forte. Deram vazão à Idéia, daí ela não parou mais e não havia tempo ou espaço que pudesse contê-la. Agora que já era um sonho com pé e cabeça, a obstinada Ideia pretendia ser promovida de um simples desejo a uma realização.

A Ideia foi considerada boa e em outras ocasiões de jerico. Quando encontrou um campo fértil, a Ideia tomou forma e já era empiricamente perceptível, tanto que passou a incomodar aquelas cabeças que não engendravam outro produto além de censura. Até tentaram conter a insistente Ideia, entretanto ao ser reprimida ela parecia se tornar cada vez mais obstinada em seguir o seu destino e retomou o rumo de sua jornada. A Ideia até perdeu o acento, mas continuou ainda com a mesma ideia, ainda que mudassem o jeito de escrever o seu nome, sua identidade jamais mudaria, o seu significado não foi afetado, aqui ou além mar era tão forte que seria impossível fragmenta-la. A Ideia então permaneceu.

A Idéia amadureceu e encontrou outras idéias, criativa tinha sempre uma rota alternativa caso alguma porta se fechasse. Quando a Ideia começou a sair do papel, você não faz idéia da celeuma que deu. Tentaram até roubar a Ideia, só que seria preciso muita coragem pra bota-la em prática, então desistiram dessa ideia. Mais viva que nunca, ao se darem conta que a Ideia era viável alguém gritou com entusiasmo: Eureka! E a Ideia prosseguiu fazendo escola, inspirando outras pequenas idéias que começaram a pipocar por toda a cidade. A Idéia trouxe a luz, fez a cabeça de muita gente e amadurecia sem jamais envelhecer, pois uma boa idéia, sempre se renova ou se copia, abre novas chances e possibilidades.

No dia em que a Idéia se materializou a cabeça, mãe da idéia, foi considerada iluminada e visionaria, já diziam até que era revolucionária! E assim uma simples Idéia deu o que falar, mal a conheciam e já se sabia que ela tinha duas irmãs, uma chamada Esperança, ainda bem novinha e outra chamada Razão, que sempre aparecia nos momentos mais incertos, quando a irmã mais famosa procurava auxílio. Quando a Idéia – realizada - finalmente alcançou o ponto de chegada, não se apagou e ainda descobriu que sua primeira morada, aquela caixa antes considerada vazia, já estava grávida novamente. Daí por diante foi um parto de ideias novas.