sábado, 12 de julho de 2008

Síndrome de Minduim

Puxa, além de ser desprezado pela Garotinha Ruiva e de ter um cachorro mais esperto que eu, ainda não descobri como se faz para chegar lá. Eu tento, tento, mas não consigo! Penso que deve ter algo de errado comigo ou que algumas coisas não são para todos. Quero ser como aquele empresário: tudo que ele toca vira ouro. Já pensou? Poderia batizar minhas empresas com nomes terminados em “X” , como símbolo da multiplicação dos lucros, entrar no rancking dos brasileiros bilionários na revista Forbes – aquela que apontou o Brasil como um país que dobrou o número de bilionários em apenas um ano, só eu não entro pra lista, e também não tenho nenhum amigo ou conhecido nela, você tem?- ter uma fortuna avaliada em US$16 bilhões... nem sei quanto é isso, meu cérebro não consegue processar tantos dígitos, não sei nem fazer conta do troco do pão, mas é algo como o dezesseis mais três casas com três zeros cada a direita, imagine isso na forma numérica 16.000.000.000 depois tente converter para o valor em reais e... nossa! Não é à toa que a operação da Polícia Federal que investiga suposto caso de sonegação fiscal e multas ambientais nas empresas daquele senhor, batizou a ação de “Operação Toque de Midas”. Mas também, deve ser difícil administrar tanto dinheiro, “alguma coisinha” sempre escapa mesmo. Quem sabe um dia eu não chego lá... casar com a Luma de Oliveira, Empresas LFX. Aliás, você sabe o que é uma licitação? “Ei ke” um dia eu chego lá!
E por falar em operações policiais com nomes engraçados, o ex-prefeito junto ao banqueiro e o investidor estão livres de novo! Tomai este corpo. O meu ficaria preso, pois não tenho a mesma “sorte” que eles, até meu cão tem mais sorte que eu. Falo de sorte porque um famoso jurista em depoimento especial sobre o caso (juristas = pessoas graduadas que são especialistas e produzem obras de conhecimento científico na área do Direito, bem como também os magistrados) disse que nosso país é justo, depois de alguns flashes de pessoas comuns na rua dizendo que a justiça não é igual para todos e que só funciona para os pobres que roubam pote de manteiga, ele disse que aqueles que contratam bons advogados conseguem um “tomai este corpo” enquanto outros apelam para advogados que não se dedicam integralmente ao caso, por isso ficam na cadeia. Concordo com o doutor e acho que está corretíssimo, e isso se chama viver em um país democrático, só faltou mencionar o poder de compra para se contratar serviços de advogados como os que servem aos três senhores presos na “Operação Satiagraha”, por exemplo. Ainda chego lá, vou aprontar bastante e um dia a justiça será igual pra mim também, afinal ela não é cega? Que peninha de mim! Pois é, nem a justiça parece justa, mas confio nos juristas e nos senhores de notável saber jurídico, profissionais de direito, que a reforma do Código Penal brasileiro que está sendo discutida no Senado e que vai estudar sugestões da população possa realmente ouvir, escrever e considerar gente assim como eu, “mei cachorrim”, pra isso temos que latir bastante e fazer nossa parte. O código vigente já tem 66 anos, puxa! Muita coisa deve ter passado debaixo das saias da vovó sem ela se dar conta, já está caduca.
Pensando bem, só não quero ser como o outro Luiz Fernando, aquele da “orla da praia”. Sei que ele fez fortuna e até fez amizade com as Farc... uhul, que jóia! Mas a parte da cadeia não me agrada muito e neste caso prefiro continuar na vidinha de trabalho e casa, vendo os anos passarem de sete em sete, como o meu querido cãozinho, vai que de repente eu precisasse fazer várias cirurgias plásticas pra ficar igual ao Fofão só pra fugir da polícia e tivesse meu patrimônio todo confiscado e vendido em bazar, inclusive a cueca e tudo. Assim não, igual a eles não. Ah, e eu que só queria que ela olhasse pra mim e desse pelo menos um tchau. Acho que ninguém tem dó de mim. Que puxa!

Texto “incidental” Amendoim , John Ulhoa.



quarta-feira, 9 de julho de 2008

Se não mata...

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco”, assim termina a obra clássica de George Orwell A Revolução dos Bichos e subvertendo o real significado dessa frase - quem leu sabe - aposto aqui na aplicação ao pé da letra na caracterização dos hábitos cotidianos de muitas pessoas que conhecemos e convivemos. Sim, estou me referindo à falta de higiene ou de preocupação com ela. Fico às vezes pensando, qual será a dificuldade que as pessoas têm em deixar os lugares por onde passam do mesmo jeito que encontraram?
Fui a uma assembléia - manifestação da elite intelectual do nosso país na encarnação real e concreta da luta de classes -, na última sexta-feira e fiquei indignado, nem tanto com a posição assumida pelos contestadores no momento de votação, mas com as atitudes desses que promovem a cultura e educação no país. Minutos depois de terminada a apelação naquela famosa praça do centro de São Paulo, passei novamente no local junto com um camarada, procurávamos ônibus, e parecia ter ocorrido uma guerra campal ou tragédia sísmica no lugar, me refiro à sujeira mesmo, à quantidade de restos de comida, papel, garrafas pet, latinhas e coisas que nem valem a pena mencionar. Pensei que tudo aquilo ali não era necessário, e não era.

Já reparou como fica uma sala de cinema depois que termina a sessão? As salas de aula depois das aulas? A praça de alimentação do shopping a cada rodada de pessoas que por ela passam? E a sua casa depois do churrasco? Nem ônibus escapa ao rastro imundo por “nós” deixado. Tudo bem, é impossível ser feliz sem modificar o ambiente onde convivemos, concordo também que a desorganização faz parte da criação, mas e a sujeira pode ou não ser evitada? E o mais curioso é que todo mundo reclama da sujeira nos lugares públicos, diz que “ninguém respeita os ambientes de convivência e as pessoas não têm cuidado com a nossa cidade”, mas quem são essas pessoas que não têm zelo? Você? Eu? Quem? E o fala-fala em épocas de enchente que “as pessoas jogam lixo nas ruas e entopem bueiros”, nunca ninguém faz isso, é sempre os outros.

Todo mundo olha de cima e torce o nariz ao escolher um lugar para fazer uma refeição quando está na rua e sempre ouço a frase “só vou comer onde for limpinho”, no entanto essas mesmas pessoas, vindas da rua, ao entrar nos estabelecimentos escolhidos a dedo pra poder comer, se quer lavam as mãos pra se sentar à mesa do restaurante ou lanchonete. Andar de ônibus pra mim é uma verdadeira prova de fogo, pois não adianta tomar banho antes de sair de casa, fatalmente você sairá imundo e cheirando até o que nem imagina. Acho um absurdo que ás seis horas da manhã alguém já esteja cheirando sovaco e o pior é que tem, quem pega ônibus ou trem em horário de rush sabe. Infelizmente não estamos utilizando os cerca de quatro milhões de anos de evolução e conhecimentos acumulados ao longo da nossa história. Ironicamente a escova de dente foi considerada uma das invenções humanas mais importantes da história numa dessas pesquisas à moda revista de curiosidades e, no entanto muitos podem, conhecem, mas não fazem uso. Porém, os campeões no quesito falta de higiene ainda são os fumantes. Se eu for comentar aqui, precisarei de um texto de cem páginas só pra fazer uma introdução, mas é outro problema que somos obrigados a aceitar como normal nos “espaços-convivência”. Apagar bituca em copo ou prato, jogar bituca no chão, poluir o ar já tão poluído com aquela fedentina toda. Vejo pessoas de manhãzinha saírem de casa de cabelo molhado e empestiadas de perfume, mas o cigarrão aceso e enfumaçando a roupa e o corpo todo.

Neuroses à parte, lembrei daquelas reportagens que mostram criação intensiva de porcos para exportação de bisteca, quem disse que os porcos de hoje em dia são porcos? Eles comem ração, vivem em chiqueiros mais limpos que muitos espaços onde passamos a maior parte do dia, tomam vacina e o melhor de tudo: tomam banho de hora em hora. Prova disso é que quase não há mais aquelas doenças transmitidas pela carne de porco, pelo menos se for de boa procedência. Mas e as pessoas? Aquelas pessoas que não são você, nem eu e nem ninguém, aquela que você acabou de apertar a mão, por exemplo, será que tem boa procedência? Falei.