terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Ele não era da nossa tribo"


Sobre a intolerância

O preconceito gira em torno do sujeito desde o seu nascimento até o dia da sua hora
Agora entendo o porquê de tanto receio,
sempre que ocorre um tiroteio existe um preto na história.
Fico perplexo ao ver a idolatria por um bandido branco e belo que morreu cheio de glória.
Sua mãe já dizia “você não é um bom menino, se você fizer bagunça o preto veio te leva embora”.
E batam palmas olha o preto na favela.
A gente odeia quem tem pele amarela (fala a verdade).
E toquem fogo, ele não é da nossa tribo
e nosso instinto primitivo não ajuda a melhorar.
As “crianças” já se explicaram: “pensamos que ela era prostituta por isso a espancamos”.
E todo mundo vai pro céu pois aqui, como em toda parte, ama-se ao próximo como a si mesmo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O causo do "tabuado"



- Seu Delegado to preso!
- O que é isso? Quem é você? Que história é essa?
- Pode me prender que matei uma pessoa. Aquela velha dona daquela pensão.
- Peraí... conta essa história direito. Acho que você fez foi um "favor" pra polícia dessa cidade!
Naquela cidadela, há muito tempo atrás, conta-se que havia uma pensão que pertencia a uma velha que morava sozinha, era muito esquisita e alguma coisa muito intrigante acontecia por ali. Sempre tinha um certo movimento de gente de fora que passando pela cidadezinha, procurando um lugar para passar a noite entrava na casa antiga, mas estranhamente ninguém via os hóspedes deixarem o lugar, o fato é que os viajantes chegavam e não saíam, ou ninguém ainda havia presenciado a despedida deles.
O moço astuto, rapaz vindo de fora, ressabiado e cheio de boas intenções, passando pela pequenina cidade, visto que já era tarde resolveu passar a noite por ali mesmo. Bateu a porta da velha casa, e uma senhora, tão velha quanto a casa, com ar de acolhida e toda hospitaleira veio atende-lo. Disse o moço que precisava de um lugar para dormir e que partiria tão logo amanhecesse. A casa muito antiga, tinha muitos quartos e teto forrado de madeira, tudo muito simples, tranqüilo e comum exceto por um detalhe curioso, durante a noite o rapaz teve a sensação de ouvir barulho que parecia algo caindo, estampido seco, e se não fosse sua imaginação, juraria ter ouvido também gemidos abafados que eram interrompidos num supetão repentino.
Intrigado com aquilo, ao amanhecer o moço quis ficar mais um ou dois dias na pensão inventando desculpa qualquer para ali dormir mais uma noite. Era tardezinha quando chegou um jovem casal viajante procurando lugar pra passar a noite e como era comum, na casa se estabeleceram. Pessoas bem vestidas, carregando pertences, provavelmente traziam dinheiro, combinaram um quarto da tal casa, que a velha cuidadosamente escolhera para ambos.
A noite chegou, cada um procurava o rumo de seu aposento e o rapaz muito sagaz observava tudo com muita atenção nos mínimos detalhes, constatou o casal entrando no tal quarto e a velha averiguando tudo antes de também se recolher. Ao entrar em seu quarto, de súbito o intrigado moço forjara plano, pra no meio da noite sair sorrateiro de seu quarto e escondido na penumbra de um canto qualquer do casarão investigar o que ali ocorria, assim o fez e como se já esperasse, percebeu na escuridão o vulto da velha a vagar, carregava uma lamparina toda cuidadosa e se dirigia em direção a um cômodo da casa que ficava exatamente ao lado do quarto onde dormia o casal e se supunha vir os ruídos estranhos testemunhados na noite anterior. Pressentindo o rapaz que algo terrível pudesse acontecer ali, nem imaginava que mais um dia na casa deveria passar e que na noite seguinte, ocupando o quarto vago do casal, talvez não veria mais o amanhecer...

continua...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

It´s Rock!


Era pra esse texto chamar “Eu adoro Cartola”, porém achei esse título muito apelativo, poderia dar margem a interpretações equivocadas e já pensou se alguém resolve tirar a prova com perguntas sobre o trabalho do cara? Só sei que gosto da música, mas não sei porque gosto, pois não sou muito fã de samba e coisas do gênero! A única coisa que posso afirmar com total lucidez é que a música de Cartola tem algo que me cativa e traz uma sensação de felicidade e alento. Acho que isso começou quando ouvi um trechinho da música “O sol nascerá”, não lembro ao certo onde ouvi, mas sei que abriu um precedente pra que eu gostasse de outras que passei a conhecer.
O cara da loja de cds em São Bernardo deve ter achado estranho quando entrei com dois amigos, vasculhando as prateleiras de pop-rock – queria levar uns dez mas me contive e peguei só três – depois de uma minuciosa e indecisa procura. Estava com dois cds nas mãos, um de rock do tipo hardcore nacional e outro de reaggae e perguntei se havia alguma coletânea do Cartola que tivesse umas três ou quatro músicas (que eu até disse o nome e tudo!). Perguntou se era pra presente e respondi que era pra mim mesmo. Tive que ouvir as gozações de um dos colegas durante todo o trajeto de volta pra casa, no ônibus, nas ruas – ce vai ouvir isso? – enfim comprei e cumpri uma obrigação que há tempos almejava: comprar um cd do Cartola. É pertinente lembrar que o colega das gozações ainda é adolescente e o outro que defendia meu ponto de vista é metaleiro, com mais de trinta, mas que cultua as músicas que possuem qualidade, o garoto aprende, pois eu nessa fase também torcia o nariz pra muita coisa que hoje dou valor inestimável.
Não quero ser especialista em Cartola, samba de morro, MPB ou coisa que o valha, quero apenas ouvir o que me emociona e nesse contexto fui feliz ao comprar a coletânea. Já a primeira faixa é a maravilhosa “O mundo é um moinho”, posso não entender nada de letra de música, mas acho muito poética cada frase dessa canção, muito bem elaborada, poucos conseguiram ou conseguirão fazer algo parecido, não é a toa que Cazuza a regravou em um dos seus momentos de maior rebeldia, quando resolveu que podia cantar de tudo numa atitude muito rock and roll. Já “As rosas não falam”, me faz lembrar o povo bêbado lá em casa cantando no vídeokê, essa além clássica é lindíssima, mais poesia! “Ensaboa” pra mim é uma música muito sensual, não me pergunte porquê, sei lá, acho a letra e a melodia sexy – arte é assim, o artista coloca um objetivo e a gente interpreta conforme nossos valores he! He! Uma boa surpresa foi ouvir “Preciso me encontrar”, não sabia que era o “homem” que cantava, sei que já tinha ouvido em alguma trilha de filme mas não lembro qual. É boa e serve como discurso pra quem precisa de um tempo pra pensar, pra respirar e tentar colocar a cabeça em dia. E o disco segue com outras pérolas como “Minha”, “Disfarça e chora” entre outras.
Talvez não teria chegado até Cartola sem antes ouvir Cazuza, ainda que enjoados ortodoxos de plantão façam suas críticas, acho que artistas do momento atual que se dispõem a fazer um resgate “sério” de clássicos da música popular brasileira, só contribuem pra que a moçada saiba que existem grandes relíquias musicais em nosso país, artistas que de fato contribuíram para essa arte e que muitas vezes são mais conhecidos pelos gringos que por nós brasileiros. Existe muita bobagem e artistas revirando no túmulo com regravações cafonas e absurdas, todavia, de vez em quando, aparece alguém competente para resgatar com qualidade esses trabalhos e só pra citar alguns exemplos de bandas que gosto: Teddy Correa da banda Nenhum de Nós que interpreta Lupicínio Rodrigues, a Fernanda Takai do Pato Fu que fez um belo cd com canções de Nara Leão e a Cássia Eller que também fez muito nesse sentido. Estou ansioso pra conhecer mais de Noel Rosa, Orlando Silva e do já citado Lupicínio, e vou atrás, mas isso comento depois. Pretendo continuar gostando do meu pop-rock britânico, não abro mão, se Kurt Coubain que era um ícone do “grunge paulera” podia gostar da nossa música ... não vejo atitude mais hardcore que assumir que gosto de Cartola na atual conjuntura cultural/musical dessa terrinha. Yeahhh!!!!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ano novo para as mesmas coisas


Não eu não quero fumaça pra me distrair.
Sei, as vezes a vida passa, eu não vou mentir ...
que chuva de flores nos quintais,
anjos vagando por aí
e nem pássaro azul eu nunca vi.
Vivo num mundo muito real,
violência pra mim, ah... é normal!
Já não consigo mais sorrir.

Ligo a tv, fecho os olhos,
leio jornais, ignoro,
na verdade estou mal, mas tento ser feliz,
(mas isso é pra quem?)
É pra quem sabe viver, pra quem se deixa levar
show de luzes que ilumina meu jantar,
mas ... que jantar?