A Ideia nasceu de uma cabeça oca - e que todos julgavam vazia - porém ela foi crescendo. Espremida no espaço finito da massa cinzenta, a Ideia insistia em continuar se desenvolvendo e rebelde como era, a inquieta queria sair do campo das ideias e resolveu partir para uma outra região que há tempos ouvira falar, a ação. A Ideia virou sonho e passou a ocupar tanto espaço dentro do crânio em sua jornada ascendente, que acabou tomando a rua. Descoberta, a Ideia encontrou obstáculos e foi tida como louca, mas quando encontrava respaldo ficava cada vez mais forte. Deram vazão à Idéia, daí ela não parou mais e não havia tempo ou espaço que pudesse contê-la. Agora que já era um sonho com pé e cabeça, a obstinada Ideia pretendia ser promovida de um simples desejo a uma realização.
A Ideia foi considerada boa e em outras ocasiões de jerico. Quando encontrou um campo fértil, a Ideia tomou forma e já era empiricamente perceptível, tanto que passou a incomodar aquelas cabeças que não engendravam outro produto além de censura. Até tentaram conter a insistente Ideia, entretanto ao ser reprimida ela parecia se tornar cada vez mais obstinada em seguir o seu destino e retomou o rumo de sua jornada. A Ideia até perdeu o acento, mas continuou ainda com a mesma ideia, ainda que mudassem o jeito de escrever o seu nome, sua identidade jamais mudaria, o seu significado não foi afetado, aqui ou além mar era tão forte que seria impossível fragmenta-la. A Ideia então permaneceu.
A Idéia amadureceu e encontrou outras idéias, criativa tinha sempre uma rota alternativa caso alguma porta se fechasse. Quando a Ideia começou a sair do papel, você não faz idéia da celeuma que deu. Tentaram até roubar a Ideia, só que seria preciso muita coragem pra bota-la em prática, então desistiram dessa ideia. Mais viva que nunca, ao se darem conta que a Ideia era viável alguém gritou com entusiasmo: Eureka! E a Ideia prosseguiu fazendo escola, inspirando outras pequenas idéias que começaram a pipocar por toda a cidade. A Idéia trouxe a luz, fez a cabeça de muita gente e amadurecia sem jamais envelhecer, pois uma boa idéia, sempre se renova ou se copia, abre novas chances e possibilidades.
No dia em que a Idéia se materializou a cabeça, mãe da idéia, foi considerada iluminada e visionaria, já diziam até que era revolucionária! E assim uma simples Idéia deu o que falar, mal a conheciam e já se sabia que ela tinha duas irmãs, uma chamada Esperança, ainda bem novinha e outra chamada Razão, que sempre aparecia nos momentos mais incertos, quando a irmã mais famosa procurava auxílio. Quando a Idéia – realizada - finalmente alcançou o ponto de chegada, não se apagou e ainda descobriu que sua primeira morada, aquela caixa antes considerada vazia, já estava grávida novamente. Daí por diante foi um parto de ideias novas.