quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E se a gente começasse do zero?

_ Mestre...!
_ Fala.
_ E se... no início de tudo o que chamamos de mundo atualmente, as pessoas já tivessem conhecimentos suficientes para evitar este caos e a correria atrás do prejuízo que agora presenciamos? Já pensou se soubéssemos que o cigarro seria o principal assassino do século XXI e ele não tivesse sido legalizado ou mesmo inventado? E se quando inventaram o spray já tivessem em mente os danos que o tal CFC causaria? E se quando tiveram a idéia do automóvel já pensassem na questão do aquecimento global? E se para cada produto que inventamos, desde a roda, já se pensasse numa forma de reutiliza-lo após sua vida útil? E se a reciclagem fosse uma realidade colocada em prática desde os primeiros apetrechos inventados? E se a gordura trans jamais tivesse sido incluída na produção dos alimentos industrializados? E se soubessem que a água potável é finita e que poderíamos tratar o esgoto antes de devolve-lo ao rio, assim que o homem descobriu a utilidade de um rio limpo? E se quando tiveram a primeira idéia de “cidade”, já se pensasse no planejamento urbano eficiente, no engarrafamento, nas áreas verdes, nas marginais e casas ecologicamente corretas? Como seria hoje em dia? E se lá nos primórdios do capitalismo já tivessem a noção de que os recursos naturais são esgotáveis? E se todas as florestas do mundo tivessem sido preservadas integralmente? E se as fontes de energia limpa fossem descobertas e desenvolvidas antes do uso dos combustíveis fósseis? E se ao invés de investir na guerra, a humanidade tivesse investido no bem estar a nível planetário? E se não tivessem descoberto que a folha de coca pode ser transformada em pó entorpecente? E se pólvora tivesse sido ignorada? E se as pessoas seguissem ao pé da letra o que a Bíblia recomenda e...
_ Pare! Já chega!
_ Mas... e se a gente começasse do zero fazendo tudo direitinho? O mundo seria melhor do que é?
_Hum... de que mundo você está falando, meu jovem?
_ Ué?! Você conhece outro mundo?
_Difícil... Se eu tivesse resposta pra tudo isso, talvez eu saberia viver como sabe outro homem qualquer. Saberia viver como Siddhartha, Yeshua e Muhhammad.
Imagem: "Deus" do cartunista Laerte.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O gato

Eu não sabia que o sol tinia
eu não sabia, eu não sabia, eu não sabia
eu não sabia que a perna tinha barriga
eu não sabia, eu não sabia, eu não sabia

Eu não sabia dobrar uma esquina
eu não sabia, eu não sabia, eu não sabia
e não sabia falar inglês
eu não sabia, eu não sabia, eu não sabia


Hoje eu sei, alguém me disse,
aprendi que preciso aprender!
Tudo que se fala, se corre o risco
de não ser compreendido
e ficar maldito.


O que você tem? De onde você vem?
O que posso fazer pra te ajudar?
Eu não abro a boca só pra falar bobagens,
acompanho as voltas que o mudo dá.



Eu não sabia, ah! Eu não sabia
mas tava claro tanto quanto a luz do dia
eu não sabia e agora eu sei
eu não sabia e hoje eu sei, sei e sei...


Imagem:url: http://cedrichohnstadt.files.wordpress.com/2007/10/blackout.jpg


segunda-feira, 13 de julho de 2009

LINGUIÇA

Ignoraaante! “Não se inicia uma oração com pronome pessoal oblíquo átono”, foi a advertência inflamada que ouvi de uma amiga minha, professora de Língua Portuguesa. Só sei que quase tive um trem na hora, não sei se de vergonha pelo erro ou espanto por não ter me atentado a um detalhe tão importante e óbvio que todo mundo sabe de cor, e já que inventaram o corretivo (“branquinho”) arrumei o relatório que estava escrevendo pra um documento da escola onde trabalho.

Me, te, se, os, as, lhe e o raio que o parta a parte, o negócio aqui e agora é desabafar sobre a angústia que estou sentindo ao ter que desaprender o que levei tanto tempo pra conseguir aprender - e mal aprendido, diga-se de passagem - com louvor. Quantas canetas vermelhas minhas professoras não devem ter perdido colocando vírgulas, pontos, acentos agudos e principalmente ele “o trema”, em minhas redações escolares. Pois é, agora tenho exatamente dois anos, a contar dessa data em que escrevo este texto, para esquecer tudo e aprender que ideia não tem mais acento. O pior de tudo é o bendito “hífen”, este já não era meu amigo quando o português era complicado, agora que estão descomplicando é que não sei mesmo onde ele entra e onde se dobra o “erre”. Dia desses um aluno me perguntou se uma tal palavra composta tinha ou não tracinho no meio, e eu respondi o que estava ao meu alcance: “não sei”, a única coisa que sei é que o trema caiu, e não importa se a linguiça é calabresa ou toscana. Aliás, aquele programa de tv onde as crianças c.d.f. devem soletrar de maneira “correta” os verbetes – mais capciosos – do Dicionário da Língua Portuguesa me chamou atenção para um detalhe importante, agora não posso mais dar aquela resposta grosseira do tipo ene-a-o-til NÃO!, pois agora eu sei que o correto é ene-a-til-o NÃO!

Acho que tenho desvio de atenção, por isso demoro a aprender essas coisas e tal, pois acabei de lembrar de um outro programa de tv onde a pessoa entra acabadona e sai “10 anos mais jovem”,cada coisa que se vê ali, tipo ”eu não gostava de se vê no espelho e agora estou se achando lindona” ou “agora vou prestar atenção no que vocês falaram pra eu se vestir melhor”. Deus tenha piedade! É uma pena que as regras só valem para a linguagem escrita, a maneira de falar ainda vai continuar essa barbaridade. Fica uma sugestão aí: que tal junto com a recauchutagem da cara e roupa nova a equipe do programa promover um “10 livros mais culto”? Será que ia dar audiência pra emissora? Sei lá... mas, o meu dilema é em relação ao processador de texto do meu computador, pois ele também ainda não aprendeu as novas regras do novíssimo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, quando eu escrevo idéia sem acento agudo no “E”, aparece um tracejado ondulado vermelho embaixo da palavra indicando que ela está escrita de modo errado! Lembrei das canetas adversativas das professoras de português “escreva 15 vezes a palavra grifada de maneira correta”. Jesus!

Recebi vários folders, panfletos e cartilhas com as novas regras básicas do Acordo Ortográfico, só falta a vontade de estudar. Vingança! joguei no lixo algumas gramáticas que guardava na estante de livros, quase chorei... de alegria. Atenção crianças: "que isto não se torne pretexto pra ignorar todas as regras gráficas e ortográficas quando forem escrever!”. Prometo que depois que eu aprender a utilizar vírgulas e pontuação em geral da maneira “correta”, estudarei as novas regras do Acordo.
Acho pertinente comentar que para escrever o título desse texto foi uma dificuldade enorme, eu tentava escrever sem o “trema” e automaticamente o software colocava os dois pingos em cima do “U”, a culpa é dele, o que eu faço com o meu Word?

PS: se quiser responder à pergunta acima por escrito – de maneira mal educada – vale lembrar que palavras oxítonas terminadas em “U” não têm acento e isto não mudou. Abraços!