Quando eu era criança e dizia alguma
bobagem, minha mãe logo perguntava: - “de onde você tirou isso menino?”. Hoje
em dia, no ofício de professor, sempre que algum estudante me indaga sobre
alguma notícia que viu ou ouviu na televisão e que ainda não estou por dentro
do assunto, eu logo pergunto qual é a fonte da informação. Uma constatação
bizarra é que em plena “era da comunição” parecemos regredir no que concerne ao
tratamento da informação. Fala-se o que quer falar e se espalha. Interpreta-se
como quer interpretar e se espalha. O que se ouve não é filtrado e simplesmente
se espalha! Sim, entramos na “Era dos Boatos”, qualquer um fala o que quer,
quem ouve reproduz sem o menor cuidado de checar a informação e assim vamos formando
uma nação arrogante, inescrupulosa, sem pudor e o pior de tudo, sem
responsabilidade sobre aquilo que está falando. WhatsApp, Facebook, Twitter...
virou fonte de informação! Estamos perdidos.
Assim como as pessoas se dizem
sem tempo de se informar, de pesquisar e se instruir, parecem também que estão sem tempo de checar a veracidade dos fatos. No rebuliço
da vida política brasileira pós-última-eleição, a boataria de má fé e boas
intenções tomou conta do país num patamar jamais registrado na nossa história.
Mentira é fato, boato é notícia, viral de rede social virtual virou informação,
dar vazão à sentimentos primitivos de agressividade significa protestar e esculhambar
a moral alheia agora é liberdade de expressão! O brasileiro está decretando a
abolição das tradicionais fontes de informação em favor da imprensa falada e
teclada (ou sei lá como se chama o ato de ficar escrevendo com a ponta dos
polegares na tela do smartphone).
Tenho constatado “todo dia” o poder da informação informal no discurso e nas
discussões travadas entre pessoas de todas as idades e graus de instrução. O mais
preocupante reside no fato de que uma fofoca ou boato vira verdade em questão
de segundos e ninguém se preocupa em buscar detalhes da origem da informação,
apenas passam pra frente o que ouvem. Fato também é que ninguém se preocupa em
desmentir quando a verdade é inventada. Perigoso.
A mídia tem a sua parcela de
culpa, mas cumpre o seu papel de retratar os fatos de acordo com as amarras
ideológicas e políticas que cada empresa de comunicação possui e diante das
deficiências na formação escolar e cultural do leitor, do telespectador ou do
internauta, acaba-se potencializando essa anomalia social a medida em que grande
parte da população não possui a habilidade de interpretar aquilo que assiste,
lê ou ouve. Num país onde novela é laboratório de comportamento social e
telejornal é tido como uma fonte de verdade absoluta, não vejo muitas
alternativas para emancipação cultural. A internet e suas redes sociais
chegaram em boa hora como fonte alternativa e democrática de informação e
discussão, no entanto a falta de preparo intelectual e moral das pessoas, que
desses meios fazem uso, nos tornou essa sociedade incontinente verbal,
idiossincrática e ignorante onde mais vale o que se fala.
Estupidamente vou me esquivando da obrigação de
ter vida social virtual enquanto a real passa. Ainda prefiro me certificar antes
de acreditar no que ouço. Chama-me a atenção as pessoas que estão perdendo o
seu senso crítico, opinam sem conhecer, ratificam sem averiguar e repassam
informações sem analisar as consequências, simplesmente pelo fato de que “ouviram falar”.
Grave mesmo é não se responsabilizar por aquilo que se fala, pois ter
responsabilidade sobre aquilo que dizemos é sinal de amadurecimento.

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