segunda-feira, 26 de maio de 2008

Tenha uma ótima noite!

Dizem que a gente não presta atenção naquilo que deveria e se prende a bobagens, mas não tem como não reparar no procedimento padrão de apresentadores de telejornal. Chega a ser até meio clichê, mas é sempre a mesma coisa. Uma apresentadora da “Grobo” , muito bonita, mas muito afetada, na minha opinião – não estou falando da Fátima, pois dessa eu gosto – é um exemplo de âncora feminino que virou modelo pra uma grande parcela de apresentadoras de outros canais “menores” - principalmente no “SBesTeira Imitation” – aquele jeito robotizado de mexer a cabeça como passarinho em gaiola e as piscadinhas rápidas de olhos, quando dá notícia séria. Chega a ficar artificial na tela, dentre as rápidas mudanças de notícia, do desastre na China à alegria nas ruas de Salvador, elas mudam dramaturgicamente a expressão facial e a entonação de voz, e ainda por cima, logo após dar a última notícia do dia sobre acidente aéreo catastrófico com direito a flashs ao vivo do local do acidente, abrem um enorme sorriso e dizem: “Tenha uma ótima noite!”
Já reparou naquela mãozinha, uma sobre a outra, sobre a bancada e o jeito anasalado de falar? Não que eu ache que elas devam dar todas as notícias da mesma maneira, mas é o modelo mesmo, já está bem saturado. E quando o jornal é apresentado em dupla, e ao final de cada matéria apresentada, um olha pro outro e faz comentários sem profundidade, só pra fingir que é jornalismo de opinião? Teve uma época que isso até virou moda. Eu gosto mesmo é da apresentadora Maria Lídia que realmente é original, tem opinião – muitas vezes divergente da minha – pois ela sabe o que falar, o que perguntar e argumenta seja lá qual for o assunto, e não segue os tais clichês à moda EUA. Voltando às apresentadoras-padrão, aquelas com massa corrida na cara, elas não se enganam nunca, a menos que dê defeito no tele-pronter, provavelmente fizeram um bom curso de orartória e sem titubear vão que vão.

Comentários mais inúteis esses que estou fazendo! Mas um pouco de açúcar de vez em quando é bom, a gente se diverte mesmo assistindo à jornais. E por falar em jornal que só dá más notícias, detesto quando passa notícia de miséria, fome e sofrimento e alguém vem me falar: “tá vendo? Tem gente em situação pior que a sua”. Eu lá quero saber de quem ta em situação pior! Se estou com problemas eu procuro olhar pra quem ta em situação melhor, e se ficar procurando quem está mais ferrado que eu, aí que vou ficar mal mesmo. As pessoas insistem na terapia do “olhe pra trás”. Que gente mais conformada essa! Filosofia da humildade pra cima de mim?! Nem Jesus gostava de miséria, tanto é que multiplicou os pães e transformou a água em vinho.

Agora, a melhor parte de qualquer telejornal é a previsão do tempo, aparece sempre uma moça bonita num fundo computadorizado e o texto é sempre o mesmo “uma área de instabilidade avança...” arf! É difícil. Ler notícia ao vivo em cadeia nacional não deve ser fácil, não pode tossir, espirrar, se embananar e nem pei... ôps! Desculpa, não resisti! Mas é um ofício que dá status à pessoa, um jornalista de tv sempre acaba virando celebridade. A Lilian Witfi... sei lá como se escreve foi bem original quando caiu na gargalhada ao dar uma notícia sobre Viagra, eu gostei. Segundo minha sobrinha, a Bernardes foi fazer uma tomada externa ao vivo e quando entrou no ar, ela estava penteando os cabelos, não sei se é verdade, mas se isso aconteceu infelizmente eu perdi, não gosto da linha editorial da emissora, mas acho a jornalista simpática e competente, dentro daquilo que o canal se propõe a fazer com o povo brasileiro. Telejornal ainda é meu programa de tv favorito. Então: terninho com ombreiras a postos, cabelinho laqueado, figurantes ao fundo fingindo mexer em computadores e ação!!!!! Reality show.

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