
Ele até que tentou de tudo, tornou-se palhaço, porém não havia como fazer o povo rir. Também, na atual conjuntura do país, não ta nada fácil fazer ninguém rir mesmo. Procurou o Sindicato dos Palhaços e reclamou das más condições de trabalho e da falta de perspectiva profissional. Em sua insana insistência pelo otimismo foi mais além, decidiu fazer algo muito mais grandioso para trazer a felicidade àquela cidade: mudar a paisagem! Pendurou lanternas coloridas pelas ruas da cidade, grafitou muros dantes encardidos, pintou frases com mensagens positivas em postes, semeou flores nos canteiros das praças, inclusive aquelas que não se localizavam em frente cemitérios, e até coloriu as faixas de pedestres da avenida principal, uma de cada cor. Não houve efeito. Ninguém tem tempo e nem humor para prestar atenção em bobagens no meio da rua, é tanta balburdia e tanto compromisso importante. O único resultado prático, que talvez possa ter atingido, foi um atropelamento na tal avenida onde as faixas de pedestres, misturadas à toda poluição visual, confundiram um cidadão mais desatento que tentou atravessa-las a cinco metros de onde realmente elas ficavam.
Ele se dirigiu até uma escola, levava doces e sorriso largo, até vestiu fantasia de pantera cor-de-rosa para a ocasião. Após muita insistência conseguiu adentrar no recinto e na esperança de adoçar os sonhos e provocar reações positivas nas carinhas carrancudas, constatou que as pequenas criaturinhas já estavam muito bem instruídas a não aceitarem nada de estranhos, nem mesmo se tiverem vestidos com fantasia de personagem de desenho animado.
Prosseguiu o sujeito tentando tirar as pessoas do estado de apatia crônica, sentou em uma praça segurado um cartaz enorme com os dizeres “Abraço grátis em troca de um sorriso”, e achando que se tratava de um louco em greve de fome, o povo passava longe, as pessoas atravessavam a rua para não correrem riscos. Só após três meses transcorridos de inusitada instalação artístico-protestante na praça, percebeu o jornal da cidade algo diferente na paisagem daquele local público e resolveu averiguar e noticiar tal fato. Saiu assim em notinha na segunda página: “Atrapalhava a circulação de pessoas em local público e foi detido por indecência e atentado ao pudor.”
Insistiu. Algum tempo depois, lá estava ele novamente tentando causar euforia e dessa vez segurava balões multicoloridos de gás hélio que se agitavam ao sabor do movimento do ar e eram tantos que quase o arrancavam do chão em direção às nuvens. Rodopiava nas pontas dos pés, dançava e oferecia balões aos transeuntes, estes olhavam de soslaio para o sujeito e esquivavam o corpo.
Suco de limão sem açúcar, notícia de morte, início de expediente, conta vencida pra pagar, segunda-feira mal dormida, esse povo não ri! O jeito foi apelar. Parecia um momento surreal quando os humanos apáticos presenciaram uma chuva de dinheiro a tingir a paisagem do centro da cidade de azul. Não se sabe ao certo a origem das cédulas, mas elas estavam lá, caíam aos montes, em diferentes valores e velocidades, pousavam no chão, sobre os carros, as copas das árvores e no teto da banca de revista, mas ninguém se atreveu a tocar em nenhuma delas, ninguém esboçou sorriso ou pelo menos uma reação positiva, olhavam para o alto de um prédio onde podiam avistar o sujeito despejando os cobiçados pedaços de papel. Cada um seguia o seu caminho e a sua rotina sem se alterar diante de tal contratempo e nem mesmo aceitaram as flores oferecidas por um enorme sorriso. Ninguém se comove diante daquilo que vem de um esqueleto.
Ele se dirigiu até uma escola, levava doces e sorriso largo, até vestiu fantasia de pantera cor-de-rosa para a ocasião. Após muita insistência conseguiu adentrar no recinto e na esperança de adoçar os sonhos e provocar reações positivas nas carinhas carrancudas, constatou que as pequenas criaturinhas já estavam muito bem instruídas a não aceitarem nada de estranhos, nem mesmo se tiverem vestidos com fantasia de personagem de desenho animado.
Prosseguiu o sujeito tentando tirar as pessoas do estado de apatia crônica, sentou em uma praça segurado um cartaz enorme com os dizeres “Abraço grátis em troca de um sorriso”, e achando que se tratava de um louco em greve de fome, o povo passava longe, as pessoas atravessavam a rua para não correrem riscos. Só após três meses transcorridos de inusitada instalação artístico-protestante na praça, percebeu o jornal da cidade algo diferente na paisagem daquele local público e resolveu averiguar e noticiar tal fato. Saiu assim em notinha na segunda página: “Atrapalhava a circulação de pessoas em local público e foi detido por indecência e atentado ao pudor.”
Insistiu. Algum tempo depois, lá estava ele novamente tentando causar euforia e dessa vez segurava balões multicoloridos de gás hélio que se agitavam ao sabor do movimento do ar e eram tantos que quase o arrancavam do chão em direção às nuvens. Rodopiava nas pontas dos pés, dançava e oferecia balões aos transeuntes, estes olhavam de soslaio para o sujeito e esquivavam o corpo.
Suco de limão sem açúcar, notícia de morte, início de expediente, conta vencida pra pagar, segunda-feira mal dormida, esse povo não ri! O jeito foi apelar. Parecia um momento surreal quando os humanos apáticos presenciaram uma chuva de dinheiro a tingir a paisagem do centro da cidade de azul. Não se sabe ao certo a origem das cédulas, mas elas estavam lá, caíam aos montes, em diferentes valores e velocidades, pousavam no chão, sobre os carros, as copas das árvores e no teto da banca de revista, mas ninguém se atreveu a tocar em nenhuma delas, ninguém esboçou sorriso ou pelo menos uma reação positiva, olhavam para o alto de um prédio onde podiam avistar o sujeito despejando os cobiçados pedaços de papel. Cada um seguia o seu caminho e a sua rotina sem se alterar diante de tal contratempo e nem mesmo aceitaram as flores oferecidas por um enorme sorriso. Ninguém se comove diante daquilo que vem de um esqueleto.
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