Só mesmo à base de aspirina! Acordar cinco e meia da manhã de estomago virado, pescoço enrijecido e as pernas bambas, engolir café amargo, enfrentar chuveiro que não esquenta, sair correndo no sereno da manhã, subir morro e pegar ônibus lotado, motorista ta atrasado, sua cara enraivecida, não espera nem você subir e arranca como se tivesse indo tirar a mãe da guilhotina, cada curva é uma tortura, se segura ou voa pela janela, levanta logo e dá o sinal o ponto que eu ia descer já ficou pra trás. Só à aspirina! O “bom dia” entre dentes cerrados de quem quer puxar o seu tapete, as vozes que apertam mais que torniquetes seus tímpanos que já pedem um domingo, antes mesmo de iniciar a jornada da segunda, a missão de agarrar o touro pelos chifres, manter a postura diante do caos, mostrar serviço, me corrija se eu tiver errado, parece que ali aquele alguém calado, na verdade quer ver você se ferrar. O pior de tudo é o meio do dia, ce já ta quase morto e ainda não cumpriu nem metade, axilas molhadas e esqueça a vaidade, a barriga roncando e não sobra tempo nem pro xixi, ainda tem a segunda etapa, calor do Saara, e sapato apertado, não sou gigolô, mas um dia saio dessa vida! Só com muita aspirina! Cabeça fervendo, demandas chegando, o chefe balindo e o mundo acabando, se depender de mim to fora, se depender das minhas contas to dentro, o gosto de sapo é horrível, mas com um pouquinho de muita paciência dá, afinal se agüentastes até agora por que não agüentarias até o final do expediente ou mais quarenta anos até quando puder se aposentar? Só a base de aspirina! Morar em apartamento, dia e noite agüentar o tormento de quem não sabe o valor que o silêncio tem, alarme de carro disparado, caminhão de morango passando, a furadeira do vizinho que não quer cessar, criança chorando, pais resmungando e alguém que resolveu ouvir pagode e animar o condomínio todo. Ver as notícias do dia, saber que os juros vão aumentar pra conter a inflação provocada por aquele sonho a prestação que você estava certo de que iria comprar, ainda tem a dengue dando o maior perrengue, já pegou uns três que conheço se eu levar uma picada, nada de aspirina, nem Novalgina “em caso de suspeita de dengue, não utilize analgésicos”. Só mesmo com muita aspirina! A campainha tocando, a vizinha já entrando, folheto na mão, você com a cara desmanchando, “meu filho procure a Palavra, isso vai te ajudar”, o telefone que chama, eu só querendo ir pra cama, mas já são quase nove e ninguém merece discutir relação essa hora da noite com chamada via celular, depois da tormenta, lembrei de uma coisa! Preciso comer, só que tenho que correr, ainda não terminei de ler aquele livro que comecei, o concurso é semana que vem e ainda faltam uns seis pra analisar. O dia ainda nem terminou, aquele amigo ligou, lembro que tinha um recado pra dar, mas agora não vou lembrar, “depois te ligo tchau!”. Putz! Era só pra avisar que amanhã não vai dar, era pra eu ter feito hoje, acho que vou me lascar, mas antes de conseguir me deitar, dormir eu sei que a insônia não vai deixar, então eu lembro de tomar outra dose dessa maravilha, só que agora vou usar na forma de gotinhas 1, 2, 3..., “para uso adulto, quarenta gotas”, pois comprimido a essa hora até dá um jeito na enxaqueca, mas o estômago amanhã de manhã vai reclamar. sexta-feira, 4 de abril de 2008
À base de aspirina
Só mesmo à base de aspirina! Acordar cinco e meia da manhã de estomago virado, pescoço enrijecido e as pernas bambas, engolir café amargo, enfrentar chuveiro que não esquenta, sair correndo no sereno da manhã, subir morro e pegar ônibus lotado, motorista ta atrasado, sua cara enraivecida, não espera nem você subir e arranca como se tivesse indo tirar a mãe da guilhotina, cada curva é uma tortura, se segura ou voa pela janela, levanta logo e dá o sinal o ponto que eu ia descer já ficou pra trás. Só à aspirina! O “bom dia” entre dentes cerrados de quem quer puxar o seu tapete, as vozes que apertam mais que torniquetes seus tímpanos que já pedem um domingo, antes mesmo de iniciar a jornada da segunda, a missão de agarrar o touro pelos chifres, manter a postura diante do caos, mostrar serviço, me corrija se eu tiver errado, parece que ali aquele alguém calado, na verdade quer ver você se ferrar. O pior de tudo é o meio do dia, ce já ta quase morto e ainda não cumpriu nem metade, axilas molhadas e esqueça a vaidade, a barriga roncando e não sobra tempo nem pro xixi, ainda tem a segunda etapa, calor do Saara, e sapato apertado, não sou gigolô, mas um dia saio dessa vida! Só com muita aspirina! Cabeça fervendo, demandas chegando, o chefe balindo e o mundo acabando, se depender de mim to fora, se depender das minhas contas to dentro, o gosto de sapo é horrível, mas com um pouquinho de muita paciência dá, afinal se agüentastes até agora por que não agüentarias até o final do expediente ou mais quarenta anos até quando puder se aposentar? Só a base de aspirina! Morar em apartamento, dia e noite agüentar o tormento de quem não sabe o valor que o silêncio tem, alarme de carro disparado, caminhão de morango passando, a furadeira do vizinho que não quer cessar, criança chorando, pais resmungando e alguém que resolveu ouvir pagode e animar o condomínio todo. Ver as notícias do dia, saber que os juros vão aumentar pra conter a inflação provocada por aquele sonho a prestação que você estava certo de que iria comprar, ainda tem a dengue dando o maior perrengue, já pegou uns três que conheço se eu levar uma picada, nada de aspirina, nem Novalgina “em caso de suspeita de dengue, não utilize analgésicos”. Só mesmo com muita aspirina! A campainha tocando, a vizinha já entrando, folheto na mão, você com a cara desmanchando, “meu filho procure a Palavra, isso vai te ajudar”, o telefone que chama, eu só querendo ir pra cama, mas já são quase nove e ninguém merece discutir relação essa hora da noite com chamada via celular, depois da tormenta, lembrei de uma coisa! Preciso comer, só que tenho que correr, ainda não terminei de ler aquele livro que comecei, o concurso é semana que vem e ainda faltam uns seis pra analisar. O dia ainda nem terminou, aquele amigo ligou, lembro que tinha um recado pra dar, mas agora não vou lembrar, “depois te ligo tchau!”. Putz! Era só pra avisar que amanhã não vai dar, era pra eu ter feito hoje, acho que vou me lascar, mas antes de conseguir me deitar, dormir eu sei que a insônia não vai deixar, então eu lembro de tomar outra dose dessa maravilha, só que agora vou usar na forma de gotinhas 1, 2, 3..., “para uso adulto, quarenta gotas”, pois comprimido a essa hora até dá um jeito na enxaqueca, mas o estômago amanhã de manhã vai reclamar.
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