sexta-feira, 4 de abril de 2008

O causo do "tabuado" (Parte final)

Acontece que ao amanhecer, o rapaz encontrava-se novamente a sós com a velha naquela casa e ao perguntar sobre o jovem casal da noite anterior, a velha respondera que já haviam ido embora bem cedo, fato que poderia ser comum não fosse a proposta que veio logo em seguida, a decrépita senhora com sua alma caridosa sugeriu ao moço que ocupasse aquele quarto que o casal passara a noite, pois segundo ela, era o melhor e mais confortável da casa. Dizem que naquele tempo e nessas cidadezinhas do interior era comum pessoas andarem armadas (como se hoje fosse muito diferente!), o rapaz trazia em sua bagagem, além de mudas de roupa, uma companheira, daquelas que quando escreve por linhas retas, traz o inevitável, aquilo que não tem remédio, o que só Jesus voltou para contar.
A noite novamente envolvia cidade, gente e o que se sente. Chegada a hora de ir pra cama, o quarto misterioso estava ali inocente, refeito e chamando para um sono dos justos. Ao se deitar na cama, olhando para o teto com forro de madeira, o rapaz não conseguia pregar os olhos, a cabeça matutando o que se passara ali desde que chegou, as histórias, a velha, o casal, o teto de madeira, os ruídos estranhos na noite anterior, sua arma na mala, a mudança de quarto, a partida misteriosa e soturna do casal, a janela ao lado cama, o copo d’água, uma lamparina acesa a vagar na escuridão, o teto de madei... de súbito levantou da cama para poder abrir a janela e nesse lance de sorte sortuda ... craashbrunmm!
Ao voltar a cabeça pra ver o que foi aquele estrondo que quase lhe tirou o coração pela boca, viu o rapaz que sobre a cama jazia o enorme tabuado de madeira que ficava acima dela. Ao perceber a meia luz o vulto que vinha em sua direção, sem pensar duas vezes e em questão de segundos pegou sua arma ali no meio daquelas roupas na mala aberta e atirou. Matou a velha.
_ Pois bem, meu rapaz, depois dessa história que você acaba de me contar, não resta dúvida de que aquela senhora dava um fim em seus clientes.
_ E agora seu delegado, o que faço?
_ Já fez! Se toda história tem um desfecho, certamente acharemos o dinheiro e pertences que ela roubava dos hóspedes, assim como seus corpos ocultados em algum lugar daquela pensão. E se tem moral da história, nunca se deve falar mal de gente velha.

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